domingo, 25 de outubro de 2009

Eu e o horário de verão

Eu e odeio o horário de verão e todas as mudanças causadas por ele. Eu nunca consegui entender muito bem se eu deveria atrasar ou adiantar meus relógios. E quando a Globo começa com aqueles avisos “começou o horário de verão, ajustem seus relógios”, eu entro em pânico. Tenho vontade de me esconder debaixo da cama.

Eu fico muito confusa sobre essas mudanças – eu sei, tenho 31 anos e desde que me entendo por gente existe horário de verão no Brasil –. Então eu descubro que eu tenho que atrasar meu relógios – do microondas, da TV, do carro, do celular, todos – e entro em pânico de novo. Então, paro para pensar: “bom, se a minha aula de inglês começa – todos os dias – às 8h, com as mudanças – vai começar às 7h. Só que já são 9h e eu ainda estou pensado sobre isso.

Eu não consegui ir à aula, na primeira segunda-feira depois do inicio do horário de verão. Eu perdi a hora e não fui à aula. Na terça-feira eu consegui ir a aula. Quando eu finalmente cheguei na sala de aula, disse ao meu professor – que é americano – “desculpe, eu não consegui levantar ontem.... é o horário de verão”. Então eu perguntei para ele, “can I call this change of Summer time?” e ele respondeu: “off course not”.... Eu acho que ele não entendeu minha piada… hunf...

Todas essas mudanças me confundem muito. Hoje é sexta-feira e eu não consegui levantar novamente. Eu tenho acordado às 9h todos os dias. O pior do horário de verão para mim é que quando eu começo a me acostumar com os novos horários, tá na hora de adiantar os relógios de novo.... Eu odeio horário de verão.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

To precisando escrever, mas as idéias não vêm!!!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Reflexões

Com os olhos fixos no teto, contemplava um lustre de cristal, saboreando o primeiro cigarro da noite. Depois de muito esforço, conseguiu ler o que estava escrito em letras mínimas: Tony’s Chandelier CO. Sentiu o estômago revirar e um buraco em sua alma. Lembrou-se do único homem havia amado. Inebriada, começou a lembrar de quando ainda morava com os pais em Mecklenburg, na Carolina do Norte. Há muito uma dúvida a assombrava: “por quê?”.

Filha única de um grande produtor de tabaco, Evelyn era tratada como uma princesa. Na infância, acostumou-se a ver os negros cuidando da casa, dos animais, da plantação, da colheita, do preparo do fumo, do envio para a indústria. Aos 15 anos, aprendeu a fumar e fabricar seus próprios cigarros, com os empregados da fazenda. Sempre que podia tomava uns tragos com o velho John, um negro de mais de 70 anos, que nunca havia saído do condado.

John tinha um neto, que morava em Nova York. Tony estava de volta, depois de quatro anos, para o feriado de Ação de Graças. Evelyn não se lembrava dele. Curiosa, andou atrás do moço querendo saber tudo o que ele estivesse disposto a contar sobre a cidade grande. Tony não dava atenção para ela.

Numa noite, após inúmeras partidas de Black Jack regadas a whisky, Tony voltava para a casa, sentido o vento no rosto e o cheiro da sua terra natal. De olhos fechados, resgatava um pouco da sua identidade. Envolto em pensamentos, foi abordado por Evelyn, que o esperava à espreita por uma fresta da janela de seu quarto.

A menina foi atrás dele ainda de camisola. “O que você quer?”, perguntou. Ela não respondeu. Então, olhou fixo nos olhos dela, puxou-a pelos cabelos, encostou-a na parede, apertou seu corpo e beijou-a com um vigor que nem ele mesmo conhecia. Amanheceram juntos, no estábulo. Evelyn nunca havia estado com um homem. Ele conhecia várias mulheres.

Entorpecida, voltou para a casa sem que ninguém a visse. Havia encontrado seu homem. Ingênua, passou o dia em meio a devaneios. Queria ir para Nova York, casar e ter filhos. No fim do dia, ao procurar pelo amado, soube que ele havia ido embora. “Sem se despedir de mim?”, pensou. Não podia acreditar. Um buraco estraçalhou sua alma. Durante anos conviveu com a sensação de que sempre faltava algo.

No início, tudo era desculpa para querer saber de Tony. Sem imaginar o que houve entre eles, John sempre comentava as novidades do neto. E, quando Tony marcou o casamento, foi entusiasmado contar para ela. Evelyn sentiu faltar-lhe o chão. Foi a última vez que perguntou sobre o amado.

Sem ter o que fazer, seguiu vivendo. Tornou-se uma jornalista de sucesso, linda e desejada. Solteira, sofisticada e independente. Despertou muitos amores. Conheceu muitos outros homens, desprezou todos. Nunca mais amou ninguém.

Numa noite em que seria homenageada, enquanto aguardava para entrar no palco, observou um lustre que pendia sobre sua cabeça. Encantada, deitou-se no chão para contemplar os detalhes.

O tempo ali, Evelyn só poderia imaginar pelos vestígios de cinco cigarros no cinzeiro. Ela queria que Tony estivesse ali. Ainda se perguntava o teria feito de errado, sem saber, no entanto, que para Tony ela fora apenas mais uma. Ele nunca a amara.

P.S. - esse texto foi produzido para um concurso da Revista Piauí. Como não deu tempo de enviar, publico aqui.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O anel que eu perdi

Quando eu fiz 15 anos, minha mãe me deu um anel. De ouro amarelo, com uma pedrinha de esmeralda e dois minúsculos brilhantes, o anel era perfeito para uma mãozinha adolescente. Não tive festa, não quis. Não viajei para a Disney, não tinha como.

Nós não tínhamos muito luxo. Na verdade, luxo nenhum. Talvez algum, se considerarmos internet e TV a cabo como luxo.... naquela época era. Também nos dávamos ao luxo de ter algumas assinaturas de periódicos, jornais e revistas. Era isso. Não tínhamos carro e o apartamento ainda estava financiado.

Eu morava em um bairro classe média de Belo Horizonte com a minha mãe e dois irmãos – uma irmã e um irmão. Meus pais se separaram quando éramos bem criança. Meu pai por muito tempo morou na casa do pai dele, que ficava no mesmo bairro, a um quarteirão da nossa casa.

O anel era bonito. Muitas vezes me pegava olhando para ele. Descobri que na esmeralda havia um pequeno defeito, talvez de lapidação. Mas era bem verdinha a pedra. Verde é a minha cor preferida. Eu gosto de verde desde criança. Minhas escovas de dente, durante muitos anos, sempre foram verdes.

Um dia, minha prima Liliane quis trocar de anel comigo. Ela era seis anos mais velha do que eu. O anel dela havia sido presente de 18 anos. Trocamos os anéis. O dela era um solitário de zircônia e ouro branco. Não era um anel de diamante, mas era de estimação. Não lembro o porquê da troca, mas trocamos as jóias por alguns dias.

Em um domingo, saí para almoçar com a família dessa prima. O pai dela, um médico que trabalhava no interior, estava em Belo Horizonte. Comemos em um restaurante self service que fica em um shoppingzinho no bairro da Floresta.
Chegamos ao Shopping Floresta, escolhemos o restaurante. O cardápio era simples. Comi um franguinho à milanesa, arroz, feijão e salada. A sobremesa, o ponto alto do almoço, seria consumida na sorveteria Universal, que ficava a uns quatro quarteirões do shopping.

Depois do almoço, fomos ao banheiro. Éramos seis primas, quatro adolescentes e duas crianças. No banheiro, uma algazarra só. Natural de um bando adolescente. Não me lembro quem eram os nossos amores naquela época. Mas com certeza, os namoricos eram o tema central do encontro. Laura, minha prima mais velha, irmã de Liliane, já era casada. Mariana, a caçula, era mais nova do que eu.

Também estavam com a gente Tatiana e Helen nossas primas mais novas.
Os sorvetes nos esperavam. Descendo as escadas, me lembrei de algo e quis voltar. Laura me impediu. Estávamos com pressa de chegar à sorveteria. Os melhores sabores de Belo Horizonte estavam lá. Os que eu mais gostava eram o de ameixa e o de doce de leite. Meu pai adorava do de ameixa.

Tomamos nossos sorvetes e seguimos para a casa do irmão do meu tio. A mãe das meninas é irmã do meu pai. Os pais delas foram casados por muitos anos, mas haviam se separado. Para mim, no entanto, o pai delas ainda era meu tio.
Fomos à casa do irmão do meu tio. Passamos a tarde toda lá. Na volta, me deixaram em casa. Já era à noite e fui preparar minhas coisas para a semana. Estava no primeiro anos do segundo grau. Naquela época eu só estudava e estava com muitos problemas para aprender física.

Havia iniciado o ano em um colégio chamado São José e depois me transferi para uma escola municipal. Por mais incrível que possa parecer essa informação nos dias de hoje, a escola era muito mais puxada que o colégio. O professor de física, Roberto, – nunca vou me esquecer desse nome – também lecionava numa das redes mais conceituadas da cidade.

Precisava estudar. Não podia repetir o ano. Eu já havia repetido a sétima série, mas essa é outra historia. Cheguei em casa, conferi os para-casas. Estavam todos prontos. Dei uma lida no conteúdo de semana anterior. Fui dormir.
Na segunda, o dia correu normalmente. Na quinta-feira haveria prova de física. Era outubro e o ano letivo terminaria daí a um mês. Minhas notas estavam horríveis e eu praticamente já estava de recuperação (segunda época). Precisava estudar muito, muito. O professor Roberto era muito bom, mas péssimo de relacionamento.

O medo que eu sentia dela me impedia de aprender. Precisava compensar estudando em casa. Passei as tardes daquela semana lendo, relendo e fazendo exercícios. A prova de física era única coisa com a qual me preocupava.

Na quarta-feira feira, um dia antes da prova, recebi uma ligação da Liliane que queria desfazer a troca dos anéis. O anel! Pensei. Onde está o anel? Não fazia idéia de onde estava o anel. Tentei me lembrar qual teria sido a última vez que havia usado o tal anel. Não me lembrei. Aquilo me assombrou muito. Não consegui mais estudar. A prova era no dia seguinte.

Revirei minhas coisas, não achei o anel. Passei a noite pensando onde estaria. De manhã, durante a prova eu só pensava no anel. Não conseguia imaginar o que havia acontecido com ele. Mesmo sem saber onde estava o solitário, Liliane devolveu o meu anel de 15 anos, que nunca mais eu usei.

Passei anos pensando como aquele anel pode ter sumido. Tempos depois, quando eu nem lembrava mais dessa história, tive um flashback. Um calafrio subiu pela minha coluna. Eu havia esquecido o anel na pedra da pia do banheiro, no dia do almoço no Shopping Floresta.

Lembrei também que Laura me impediu de voltar e, por isso, eu não fui buscá-lo. O solitário nunca mais foi tema de conversas com Liliane. Mas eu me senti muito mal durante muito tempo por causa do bendito anel. Ainda tenho dúvidas se Laura teve alguma intenção ao me impedir de voltar. Nunca vou saber!
Não tenho mais muito contato com as minhas primas. Moro em outra cidade e quando vou a Belo Horizonte mal tenho tempo de ver minha mãe.

Fui muito mal na prova. Fiquei de recuperação, mas passei na segunda época.

domingo, 7 de junho de 2009

início

Começo hoje minha inserção pelo mundo da “blogsfera”.
Ainda não sei bem como utilizar a ferramenta, mas vou aprender.
Minha idéia é utilizar esse espaço para escrever comentários sobre os acontecimentos triviais do dia a dia.....
Comentar fatos, notícias jornalísticas, eventos, filmes, livros. Enfim, comentar o que eu quiser....
Sou jornalista e gosto muito de escrever.