quinta-feira, 11 de junho de 2009

O anel que eu perdi

Quando eu fiz 15 anos, minha mãe me deu um anel. De ouro amarelo, com uma pedrinha de esmeralda e dois minúsculos brilhantes, o anel era perfeito para uma mãozinha adolescente. Não tive festa, não quis. Não viajei para a Disney, não tinha como.

Nós não tínhamos muito luxo. Na verdade, luxo nenhum. Talvez algum, se considerarmos internet e TV a cabo como luxo.... naquela época era. Também nos dávamos ao luxo de ter algumas assinaturas de periódicos, jornais e revistas. Era isso. Não tínhamos carro e o apartamento ainda estava financiado.

Eu morava em um bairro classe média de Belo Horizonte com a minha mãe e dois irmãos – uma irmã e um irmão. Meus pais se separaram quando éramos bem criança. Meu pai por muito tempo morou na casa do pai dele, que ficava no mesmo bairro, a um quarteirão da nossa casa.

O anel era bonito. Muitas vezes me pegava olhando para ele. Descobri que na esmeralda havia um pequeno defeito, talvez de lapidação. Mas era bem verdinha a pedra. Verde é a minha cor preferida. Eu gosto de verde desde criança. Minhas escovas de dente, durante muitos anos, sempre foram verdes.

Um dia, minha prima Liliane quis trocar de anel comigo. Ela era seis anos mais velha do que eu. O anel dela havia sido presente de 18 anos. Trocamos os anéis. O dela era um solitário de zircônia e ouro branco. Não era um anel de diamante, mas era de estimação. Não lembro o porquê da troca, mas trocamos as jóias por alguns dias.

Em um domingo, saí para almoçar com a família dessa prima. O pai dela, um médico que trabalhava no interior, estava em Belo Horizonte. Comemos em um restaurante self service que fica em um shoppingzinho no bairro da Floresta.
Chegamos ao Shopping Floresta, escolhemos o restaurante. O cardápio era simples. Comi um franguinho à milanesa, arroz, feijão e salada. A sobremesa, o ponto alto do almoço, seria consumida na sorveteria Universal, que ficava a uns quatro quarteirões do shopping.

Depois do almoço, fomos ao banheiro. Éramos seis primas, quatro adolescentes e duas crianças. No banheiro, uma algazarra só. Natural de um bando adolescente. Não me lembro quem eram os nossos amores naquela época. Mas com certeza, os namoricos eram o tema central do encontro. Laura, minha prima mais velha, irmã de Liliane, já era casada. Mariana, a caçula, era mais nova do que eu.

Também estavam com a gente Tatiana e Helen nossas primas mais novas.
Os sorvetes nos esperavam. Descendo as escadas, me lembrei de algo e quis voltar. Laura me impediu. Estávamos com pressa de chegar à sorveteria. Os melhores sabores de Belo Horizonte estavam lá. Os que eu mais gostava eram o de ameixa e o de doce de leite. Meu pai adorava do de ameixa.

Tomamos nossos sorvetes e seguimos para a casa do irmão do meu tio. A mãe das meninas é irmã do meu pai. Os pais delas foram casados por muitos anos, mas haviam se separado. Para mim, no entanto, o pai delas ainda era meu tio.
Fomos à casa do irmão do meu tio. Passamos a tarde toda lá. Na volta, me deixaram em casa. Já era à noite e fui preparar minhas coisas para a semana. Estava no primeiro anos do segundo grau. Naquela época eu só estudava e estava com muitos problemas para aprender física.

Havia iniciado o ano em um colégio chamado São José e depois me transferi para uma escola municipal. Por mais incrível que possa parecer essa informação nos dias de hoje, a escola era muito mais puxada que o colégio. O professor de física, Roberto, – nunca vou me esquecer desse nome – também lecionava numa das redes mais conceituadas da cidade.

Precisava estudar. Não podia repetir o ano. Eu já havia repetido a sétima série, mas essa é outra historia. Cheguei em casa, conferi os para-casas. Estavam todos prontos. Dei uma lida no conteúdo de semana anterior. Fui dormir.
Na segunda, o dia correu normalmente. Na quinta-feira haveria prova de física. Era outubro e o ano letivo terminaria daí a um mês. Minhas notas estavam horríveis e eu praticamente já estava de recuperação (segunda época). Precisava estudar muito, muito. O professor Roberto era muito bom, mas péssimo de relacionamento.

O medo que eu sentia dela me impedia de aprender. Precisava compensar estudando em casa. Passei as tardes daquela semana lendo, relendo e fazendo exercícios. A prova de física era única coisa com a qual me preocupava.

Na quarta-feira feira, um dia antes da prova, recebi uma ligação da Liliane que queria desfazer a troca dos anéis. O anel! Pensei. Onde está o anel? Não fazia idéia de onde estava o anel. Tentei me lembrar qual teria sido a última vez que havia usado o tal anel. Não me lembrei. Aquilo me assombrou muito. Não consegui mais estudar. A prova era no dia seguinte.

Revirei minhas coisas, não achei o anel. Passei a noite pensando onde estaria. De manhã, durante a prova eu só pensava no anel. Não conseguia imaginar o que havia acontecido com ele. Mesmo sem saber onde estava o solitário, Liliane devolveu o meu anel de 15 anos, que nunca mais eu usei.

Passei anos pensando como aquele anel pode ter sumido. Tempos depois, quando eu nem lembrava mais dessa história, tive um flashback. Um calafrio subiu pela minha coluna. Eu havia esquecido o anel na pedra da pia do banheiro, no dia do almoço no Shopping Floresta.

Lembrei também que Laura me impediu de voltar e, por isso, eu não fui buscá-lo. O solitário nunca mais foi tema de conversas com Liliane. Mas eu me senti muito mal durante muito tempo por causa do bendito anel. Ainda tenho dúvidas se Laura teve alguma intenção ao me impedir de voltar. Nunca vou saber!
Não tenho mais muito contato com as minhas primas. Moro em outra cidade e quando vou a Belo Horizonte mal tenho tempo de ver minha mãe.

Fui muito mal na prova. Fiquei de recuperação, mas passei na segunda época.

2 comentários:

  1. Meu pai tava quebrado na época, mas quando eu fiz 18 anos, fez questão de me dar um anel. Nunca liguei para joias, mas ele fez questão, acho que para marcar a data. Era lindo, de ouro amarelo, com uns brilhantezinhos. Mas era mais importante mesmo pelo gesto do meu pai. Perdi no dia do vestibular. Fui fazer a prova com ele no dedo, mas coloquei na bolsa para não me incomodar. Ele deve ter caído. Só me dei conta em casa. Ainda voltei, com meu pai, para procurar na escola onde foi a prova. Mas, claro, não achei mais. Do que mais me lembro foi da carinha de decepção dele... Veja você, amiguinha blogueira, depois desse dia, e lendo seu texto, cheguei à conclusão que anéis foram mesmo feitos para serem perdidos em dias de prova. E para decepcionar pessoas... Por isso, prefiro bijus! Adorei o blog... continue, viu! Saudades, muitas, muitas!

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    1. fiiiz 15 anos no dia 20 de abril de 2013 , minha mae fez questao de me dar um anel de ouro, com uma pedra grande linda dms , no dia da minha festa a pedra do anel caiu , todos os convidados me ajudaram a procurar e eu achei , minha mae foi na joalheria e trocou o anel , um tempinho dps eu comecei a usar o anel todos os dias , minjaa amigas ficavam.encantadas dizendo que ele era lindo e tau , um dia quando voltei da escola minha mae me viu com o anel e falou pra eu nao usar no dia a dia , por ser uma joia.. , mesmo assim continuei usando , pois todas as minhas amgs usavam seus aneis de 15 anos , na segunda feira passada eu estava no portao da minha casa com meu namorado e estava com o anel no dedo , quando ele foi embora entrei correndo pra almoçar , porque eu tava atrasada pra ir no medico , praticamente engoli a comida , mas dps fui lavar a panela , tirei o anel e uma pulseira que eu estava usando ,.e coloquei em cima de um balcao na cozinha ,lavei a panela e sai meio que correndo , na hora em que eu sai minha mae chegou , hoje sexta feira tive a certeza de que perdi o anel , procurei em tudo e nao o achei , mas a pulseira que estava junto com o anel esta no mesmo lugar , e o anel sumiu , ja me acabei de. chorar nao sei mais o que fazer , nem temho condiçoes de comprar outro igual :'/

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